Blog destinado à comunicação entre CRF e funcionários da Fundação Florestal

Blog destinado a manter um canal de diálogo entre funcionários, sociedade e o CRF
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O CRF vem esclarecer alguns fatos referentes aos rumores da transferência de local de trabalho dos funcionários sediados no Horto Florestal.

Durante a visita do recém empossado Secretário Estadual de Meio Ambiente, Ricardo Salles, membros do CRF tiveram a oportunidade de expor uma carta e apresentar algumas instalações, o salão da Diretorias Técnicas e o prédio da DAF. O Secretário também visitou diferentes instalações do IF e infelizmente não visitou, ainda, a casa 32, onde as condições laborais estão há certo tempo inadequadas e insalubres (para não dizer péssimas).

Na reunião convocada pelo DE no último dia 9, também com intenção de sanar boatos de que o Secretário pretende transferir a sede da FF para outro endereço, o Diretor Executivo - Dr. Paulo Santos Almeida, informou que uma das primeiras iniciativas do Secretário foi, de fato, iniciar um estudo para melhoria da eficiência da gestão pública da SMA, na qual entre as propostas em análise está a possibilidade de transferência dos órgãos - IG, IF, FF - para outro endereço, a fim de que melhor se integrem.

Ocorre que, por maledicência ou falta de informação, alguns funcionários têm atribuído tal fato às ações do CRF. É evidente a inexistência de qualquer fundamento nessa afirmação.

Diante do exposto, esclarecemos aos funcionários que, nesse processo, o CRF nada mais fez do que cumprir seu papel em busca de melhores condições de trabalho para todos.

É preciso evidenciar ainda que a situação em que nos encontramos é reflexo da falta de compromisso, do desrespeito com os funcionários, e do descaso com a instituição. Situação essa que esperamos seja revertida pelo Secretário.

Por fim, seja qual for a situação que se apresente, o CRF continuará em busca das melhores condições de trabalho para os funcionários que dedicam suas vidas para a instituição e seguem firmes na batalha.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Não se trata de ensinar o padre a rezar a missa... mas....

Belezas das nossas áreas protegidas são destaque em revista
Monumento Natural Pedra do Baú: destaque da revista

Você já ouviu falar da Revista Cidade & Cultura? É um projeto interessante realizado por cidades ou regiões que resgata o patrimônio histórico e cultural do município, valorizando a criação artísticas local, preservando o meio ambiente, incentivando e gerando aumento da atividade econômica por meio do turismo sustentável.

Nas duas últimas edições da revista as áreas protegidas do Estado de São Paulo localizadas na Baixada Santista e Serra da Mantiqueira foram destaque, sendo evidenciada suas belezas naturais e atrativos históricos e gastronômicos entre outros, demonstrando a importância que possuem nos contextos econômicos regionais do turismo.

As Unidades de Conservação paulistas são locais ideais para realizar caminhadas ao ar livre, observar e apreciar a natureza, fotografar, realizar um passeio com a família e etc. No site da revista você poderá conhecer um pouco mais dessas áreas e como visitá-las.

Quer saber mais?

São Paulo possui mais de 94 áreas protegidas espalhadas por todo o Estado. Encontre seu Parque e visite!!! Acesse o site da FF clicando aqui.

ATENÇÃO

Gostou da matéria? Acha que esse deveria ser o tipo de conteúdo divulgado no site da Fundação Florestal, um de seus principais meios de comunicação? Pois é...

Em 08 de agosto, foi veiculada no site da FF uma chamada denominada “Ecocenários”. Apesar do nome, é um link para duas matérias de revistas de moda que utilizaram as UCs como cenário para suas modelos. Uma das atrizes atua em uma das principais emissoras de televisão do país, também editora das respectivas publicações/revistas.

Tendo em vista a divulgação, não restam dúvidas de que houve autorização institucional para tal produção, incluindo custos da locação, tudo conforme a legislação preconiza. Até aí, nada contra!

A estranheza, entre vários funcionários, foi verificar que o conteúdo da matéria difundida, com fotos e ‘poses sensuais’, não possuí nenhum contexto com o a temática ambiental, afinal um dos “ecocenários” era o histórico e importante Caminhos do Mar/Estrada da Maioridade- conhecida como Estrada Velha de Santos, que liga os municípios de São Bernardo do Campo e Cubatão, interior do Parque Estadual da Serra do Mar.

Afinal, qual o propósito em divulgar este tipo de conteúdo que não educa e nada acrescenta à reflexão e educação ambiental? Seria essa uma nova estratégia de sensibilização para atrair o público para as UCs?
Enfim, parece que a coisa “não pegou bem” e parte do conteúdo foi retirado do ar (incluindo fotos sensuais), mas não a totalidade da matéria. Veja aqui.

Se queremos consolidar um sistema fortalecido de áreas protegidas, é preciso repensar as estratégias de comunicação, incluindo a nobre missão em divulgar notícias ambientais relacionadas às UCs.

Não acredita no que estamos falando? Clique aqui e veja você mesmo.

Deixamos as questões e respostas para nosso dirigentes e assessoria de comunicação...

quarta-feira, 22 de junho de 2016

NOTA PÚBLICA SOBRE O PL 249/2013 – CONCESSÃO DE PARQUES ESTADUAIS

No mês de junho foi aprovada na ALESP a lei que autoriza a concessão de 13 Parques Estaduais administrados pela Fundação Florestal.

Por mais que este CRF tenha buscado pouco se posicionar sobre o assunto, que era considerado irrefreável no Legislativo, após diversas manifestações, reportagens e entrevistas sobre o tema, optamos por esclarecer alguns pontos.

1) Apesar de parecer óbvia a impossibilidade de exploração florestal no interior de Unidades de Conservação (UCs) de proteção integral, a lei equivoca-se ao tratar da mesma forma os dois assuntos distintos que são os serviços de ecoturismo e a exploração florestal;

2) A relação das unidades de conservação passíveis de concessão causa estranheza. Sua lista apresenta áreas que não são UCs propriamente ditas, como PESM (núcleo São Paulo) e Caminho do Mar;

3) Se é verdade que hoje a capacidade de atendimento ao visitante nas áreas protegidas do Estado é deficiente, é preciso esclarecer que trata-se de condição criada pelos sucessivos atos de sucateamento das instituições que fazem gestão das UCs pelas consecutivas ações do governo estadual. Não tem sido por falta de alerta, já que constantemente este Conselho tem enviado cartas à Diretoria Executiva da FFF, e publicado estudos/ documentos sobre o reduzido quadro de funcionários e a precariedade das condições de trabalho, que tornam nossas Ucs cada dia mais vulneráveis às ações de degradação ambiental. Para relembrarmos um aspecto desse problema, hoje (14/06/2016), a Fundação Florestal, responsável pela gestão de 94 UCs, que abrangem cerca de 18% do território paulista, possui apenas 55 guardas-parques. Pode parecer brincadeira, mas a figura desse funcionário tem um simbolismo forte, sendo destacada em todo o mundo como um importante ator na gestão de Áreas Protegidas. No entanto, no estado mais rico do país, este profissional qualificado tem sofrido constrangimentos diariamente, com retrocessos, inclusive salariais (atualmente o responsável por fiscalizar caçadores, palmiteiros, orientar visitantes etc. recebe o ínfimo salário de R$880,00- menor que o salário mínimo paulista).

4) Outro aspecto que merece destaque em relação às concessões é a visão limitada de que sua aprovação resolverá os gargalos da gestão das UCs. Se por um lado as concessões parecem significar um avanço, contrariamente tendem a ser ineficazes na medida em que veem desacompanhadas de outras ações articuladas -administrativas, técnicas e políticas. Se é verdade que precisamos adequar as condições dos serviços de ecoturismo, é também realidade o dever do Estado em assumir sua obrigação constitucional em garantir as condições adequadas para que as UCs cumpram seus objetivos ecológicos e sociais de conservação da sociobiodiversidade. De acordo com dados obtidos, no ano de 2014, as unidades de conservação PE Cantareira e PE do Jaraguá receberam 150 mil e 600 mil visitantes, respectivamente. Certamente, os maiores percentuais de visitantes controlados no Estado. Esses números são irrisórios quando estamos na maior metrópole da América Latina, com mais de 22 milhões de habitantes, que ainda recebe um grande volume de turistas nacionais e estrangeiros. Essas Ucs poderiam ser os polos difusores de informações para as demais unidades do Estado, aumentando o percentual de visitantes em alguns milhares - por exemplo, os cerca de 30 mil visitantes do PE Caverna do Diabo.

5) Frequentemente ouvem-se comparações entre parques paulistas, brasileiros em outros países, especialmente os EUA. Se, por um lado, é verdade que as concessões funcionam em outros países, por outro lado é necessário constatar que nesses exemplos o Estado cumpre e exerce sua obrigação fundamental na gestão das Áreas Protegidas, disponibilizando funcionários capacitados e condições de segurança adequadas aos seus visitantes. Além disso, se hoje existe uma cultura de visitação às áreas protegidas em diversos países, ela é resultante de um compromisso, permanente, contínuo, na construção dessa cultura.

6) Ao mesmo tempo, deve-se ter em mente que as concessões não podem ser vistas como uma estratégia de desoneração do Estado. Isso porque os benefícios e os serviços que o meio ambiente protegido oferece à sociedade são inúmeros e expressivos. Para citar um dos mais significativos: 60% da agua captada para abastecimento público no Estado de São Paulo depende, direta ou indiretamente, das áreas protegidas. Portanto, é necessário que os governantes compreendam que a administração pública está em déficit com essas áreas, na medida em que desvalorizam e esvaziam o funcionamento do Sistema.

Para isso, precisamos planejar nossas ações. Concessões isoladas associadas ao já conhecido abandono e letargia do Estado não nos parece um caminho que permita comemorar o início desse processo de mudança comportamental.

sábado, 14 de maio de 2016

3º Módulo do IV Curso de Introdução ao Manejo de Unidades de Conservação

O Instituto Florestal realiza de 16 a 20 de maio a continuidade do "IV Curso de Introdução ao Manejo de Unidades de Conservação",   com o 3º Módulo  - "As Unidades de Conservação e Suas Interfaces",

A capacitação oferece rico conteúdo para agentes públicos e diferentes atores sociais interessados na importantes missão da conservação ambiental - uma oportunidade de conhecer e se aprofundar em relação aos conceitos e desafios da gestão de áreas protegidas. 

Veja aqui como foi o 2º Módulo http://iflorestal.sp.gov.br/2016/05/03/if-realiza-2o-modulo-do-iv-curso-de-introducao-ao-manejo-de-ucs/


quinta-feira, 5 de maio de 2016

HISTÓRIA, CULTURA E CONSERVAÇÃO NO 10º UC CONHECE???

Dia 21 de abril Feriado de Tiradentes, Descobrimento do Brasil e Dia da Terra!!! Ótima oportunidade para fazer as malas e conhecer um novo rumo.

É a primeira vez que o destino do UC Conhece??? seguiu para o sul, na divisa com o estado do Paraná, no histórico Vale do Ribeira, mais precisamente em duas áreas protegidas que integram o Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga: o Parque Estadual do Rio Turvo e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Quilombos da Barra do Turvo.

Foram três dias de descobertas incríveis, que envolveram desde conhecer o local onde foi encontrado o fóssil do mais antigo registro de ocupação humana dentro do Estado de São Paulo, apreender com a cultura quilombola tradicional e desfrutar de lindas paisagens.

A seguir apresentamos um pouco de nossa viagem, também no tempo.

Aproveite e confira todas as fotos desse "UC Conhece???" clicando AQUI!

O MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE JACUPIRANGA- MOJAC

 Para iniciar a viagem, precisamos explicar o contexto em que a região visitada está inserida e voltar o olhar para o passado.

Com o Decreto-Lei Nº 145 de 8 de agosto1969 foi criado o Parque Estadual Jacupiranga, com 150.000 hectares de perímetro, que abrangia uma extensa área que compreendia os municípios do interior- Iporanga, Jacupiranga, Eldorado, Cajati -até às margens do litoral, na região do Estuário Lagunar em Cananéia, cobrindo grande extensão da bacia hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape.

Como é de conhecimento de muitos que atuam com conservação ambiental, essa área protegida foi concebida em local onde habitavam milhares de pessoas, aumentando um conflito social permanente  já existente, decorrente da ação  violenta de jagunços que expulsavam lavradoras e agricultores do campo a mando de invasores de terras públicas com os mais espúrios dos interesses.

Se por um lado reduziu as pressões de grandes interesses latifundiários de especuladores imobiliários, mineradores e grileiros; por outro gerou uma nova modalidade de conflito: como conciliar a gestão da UC e a presença de moradores. Após muitas discussões, pressões, reuniões, mobilizações e  audiências pública, em 2008 foi criado o Mosaico do Jacupiranga.

Em 2008, por meio da lei 12.810 de 21 de fevereiro, o que era Parque Estadual do Jacupiranga (PEJ) foi transformado no Mosaico de Unidades de Conservação do Jacupiranga.- MOJAC. O antigo parque foi ampliado e subdividido em três parques estaduais: Parque Estadual Caverna do Diabo; Parque Estadual do Rio Turvo; e Parque Estadual do Lagamar de Cananéia- unidades de proteção integral. Além desses, novas unidades de conservação foram criadas, formando o Mosaico de Unidades de Conservação, a saber: cinco Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), quatro Áreas de Proteção Ambiental (APAs), além de duas Reservas Extrativistas (Resex) e duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), totalizando assim 243.885,15 ha.

O MOJAC, assim como no caso do Mosaico da Juréia-Itatins, foi utilizado como instrumento para recategorizar e reduzir os conflitos historicamente estabelecidos.

Para saber um pouco mais sobre esse processo, recomendamos acessar: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-11012013-115542/en.php

 
O que podemos perceber nas conversas de interação realizadas durante a visita foi que a recategorização das UCs é um importante divisor de águas da história local e regional: se antes os moradores eram proibidos e, de acordo com algumas falas, marginalizados e incriminados, agora passaram a estar legalmente estabelecidos, com direitos reconhecidos e ampliados.

Uma das inovações previstas com a criação de Mosaicos é a instituição de um chamado 'conselhão'  além dos conselhos gestores  de cada uma dadas UCs. Esse 'conselhão' teria como objetivo discutir as ações entre todas as UCs.

E por falar em conselhos, é preciso relembrar que até o fechamento deste texto segue o grande impasse criado pelo SIGAP- a partir de abril de 2014, para a constituição dos Conselhos Gestores de UCs, que não está solucionado, inviabilizando a criação e renovação dos conselhos das UCs paulistas pelo estado afora.

Parque Estadual do Rio Turvo

O Parque Estadual do Rio Turvo, recebe este nome devido ao próprio Rio Turvo, que nasce da confluência dos rios Barreiro e Herval, no sopé da Serra do Cadeado. É afluente integrante da Bacia Hidrográfica Rio Ribeira de Iguape, veja mais aqui.

Foi criado pela lei do Mosaico de Jacupiranga e está localizado nos municípios de Barra do Turvo, Cajati e Jacupiranga com área de  73.893,83  hectares.

O Parque não possui um Plano de Manejo e está em processo de elaboração do Plano Emergencial para liberação e utilização de trilhas, visita à cachoeiras, à Gruta da Capelinha e demais atrativos para  visitação pública.

A primeira parada ocorreu no Núcleo Capelinha, no município de Cajati. As atrações liberadas para os visitantes são a Cachoeira da Capelinha, área de lazer com churrasqueira, que deve ser pré - agendada, campo de futebol, local para banho, visita ao Centro de Exposições Temático (CET) e ao Sambaqui.

O Centro de Exposições, é sem dúvida um dos mais equipados e estruturados que este UC Comhece??? visitou até o presente, comparativamente às outras UCs visitadas. São painéis temáticos, animais taxidermizados, fotos que ilustram e atraem a atenção do visitante. Em nossa visão, um modelo a ser expandido para outras áreas.

Infelizmente o número de funcionários do parque é reduzido e um contingente maior, capacitado e qualificado, poderia representar um avanço de qualidade do serviço prestado aos visitantes .

Entre as informações de interesse do Núcleo, destacamos:


- Os Sambaquis, montes formados por conchas de moluscos utilizados na alimentação da antiga população do litoral- o mar já foi ali- e também utilizado como cemitério, onde os corpos eram cobertos por essas conchas. Uma área de Sambaqui se encontra ao lado do CET.

- A descoberta de um esqueleto fossilizado de um homem, com aproximadamente 9 mil anos, encontrado em 1999 no Sambaqui ao lado do CET. O fóssil do Homem da Capelinha é considerado o mais antigo registro de ocupação humana dentro do Estado de São Paulo, posteriormente denominado pelos pesquisadores de “Luzio” (referência a Luzia, fóssil de esqueleto feminino encontrado em Belo Horizonte que viveu há mais de 11 mil anos, considerado o mais antigo das Américas). Atualmente o fóssil encontra-se no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, porém no CET é possível visualizar seu crânio em diferentes ângulos através de um holograma.


- A passagem do líder revolucionário, capitão do exército, Carlos Lamarca, comandando 16 guerrilheiros integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) em 1969, durante fuga da perseguição da ditadura militar brasileira, estabelecida no país por um golpe militar em março de 1964. O capitão Lamarca era conhecido por integrantes das comunidades tradicionais do Vale do Ribeira, especialmente os mais antigos, que tratam seu nome com respeito, ‘especialmente pelo jeito de ser e por conhecer os diversos caminhos da densa mata atlântica de então’- diz a lenda que muitos militares temiam persegui-lo na floresta, devido à sua astúcia no ambiente natural, ‘como um bicho no mato’. A Gruta da Capelinha e a Trilha do Lamarca são atrativos do parque que que aliam história, natureza e política.


Num dia de visitas aos atrativos, observamos a importância que o Parque possui no contexto local/regional. Devido ao fácil acesso (está localizado às margens da Rodovia Régis Bittencourt) muitos moradores dos municípios do entorno utilizam a UC para lazer.  A expectativa dos funcionários é que o número de visitantes naquele dia poderia atingir 800 pessoas!


E, para dar conta disso tudo, apenas dois monitores ambientais e um vigilante terceirizado. Um número insuficiente de funcionários para um público expressivo, que afinal merece ser bem recepcionado. O Parque não dispõe atualmente de serviço de Portaria.


Apesar das dificuldades, vimos muita disposição e fomos muito bem recebidos pelos prestativos e atenciosos monitores e vigilante.


Um aspecto interessante e positivo foi a presença de um voluntário que atua no Parque, iniciativa que merece ser olhada com atenção pelo corpo executivo da FF, pois, pode contribuir a curto prazo com o déficit de recursos humanos nas UCs. No entanto, não consideramos uma solução definitiva, entendendo que um concurso público poderia amenizar a carência de recursos humanos em todas as UCs!


Destaque negativo, que não deve ser esquecido, foi o atentado que o núcleo Capelinha recebeu em janeiro de 2016, tendo a base atacada e alvejada por criminosos com disparos de arma de fogo. O fato ocorreu logo após a unidade  perder  um posto de vigilância- fruto do corte orçamentário decretado pelo governador. A cena repetiu-se em 2016 em outras UCs, com diminuição da proteção do patrimônio, através do corte de postos de fiscalização e vigilância, gerando ataques e boletins de ocorrência  em profusão.


Após conhecer o Núcleo Capelinha, seguimos em direção ao Núcleo Cedro, no município de Barra do Turvo. Este Núcleo funciona como uma base de fiscalização, contando com a presença de guardas-parque que trabalham no regime de escala.


Núcleo Cedro


Esse núcleo possui uma base de fiscalização e um alojamento para pesquisadores, no qual pernoitamos, pois, apesar da ausência de atrativos associado ao núcleo, ele está bastante próximo às RDS Quilombo da Barra do Turvo.

No entanto, como o UC Conhece??? gosta de história, aproveitamos a passagem por lá para conversar com nossos heróis das UCs, os guardas-parque. Na escala desse final de semana, estavam em 3, sendo dois funcionários do IF e um da FF.

Aproveitamos a oportunidade para saber das condições de trabalho, das expectativas em relação ao CRF e, principalmente, um pouco mais da arriscada missão de um guarda-parque. Foram diversos causos de perseguição a caçadores, palmiteiros, operações de fiscalização e etc. Dessa conversa, surgiu a idéia e necessidade de registrar essas experiências vivas, que ajudam a compreender a importante história das unidades de conservação paulista.

O registro torna-se ainda mais importante na medida em que inexiste previsão de concursos para a nobre função, com muitos profissionais  se aposentando e inexistindo estímulos, como  plano de carreira para permanência dos que ainda são jovens. Nesse sentido, é possível que no futuro, para aprendermos sobre a profissão de guarda-parque, nossos únicos registros sejam os livros de história.


Breve histórico das comunidades quilombolas do MOJAC.


A Reserva de Desenvolvimento Sustentável dos Quilombos é constituída pelas Comunidades de Remanescentes de Quilombos de Ribeirão Grande, Terra Seca, Cedro e Pedra Preta, cujo território estende-se ao longo da BR 116 (Rodovia Régis Bittencourt) e SP 552, todas localizadas no município de Barra do Turvo/SP- na região do Vale do Ribeira, que apresenta alguns dos piores indicadores socioeconômicos do Estado de São Paulo, ao sul, na divisa com o Estado do Paraná. Com área total de 1.007,29 km² e população estimada em 7.659 habitantes (SEADE 2015) Barra do Turvo é tipicamente rural, Entre os 645 municípios do Estado de São Paulo, Barra do Turvo é um dos últimos no ranking do IDHM, ocupando a 644ª posição (queda de 03 posições em relação a 2008). Veja maiores informações aqui http://www.imp.seade.gov.br/frontend/#/perfil

Cerca de 40% da receita municipal advém do repasse de ICMS Ecológico feito pelo Governo do Estado a título de compensação financeira pelo território pertencente a Unidades de Conservação nele inseridas.

As comunidades quilombolas de Terra Seca, Ribeirão Grande, Cedro e Pedra Preta apresentam um agravante em relação às já precárias condições materiais de existência dos habitantes de Barra do Turvo: a distância de seu centro urbano, respectivamente 21, 23, 27 e 34 km. Estas comunidades tradicionais constituíram-se em Reserva de Desenvolvimento Sustentável pela Lei 12.810, de 21 de fevereiro de 2008 que criou o Mosaico de Unidades de Conservação de Jacupiranga, com reclassificação de áreas do até então Parque Estadual do Jacupiranga, inclusive as que se sobrepunham parcialmente aos referidos territórios quilombolas.

As quatro comunidades quilombolas que integram a RDS dos Quilombos, em fase de consolidação, tem em comum o ”legado, uma herança cultural e material que lhe confere uma referência presencial no sentimento de ser e pertencer a um lugar e a um grupo específico” (Associação Brasileira de Antropologia), um passado de resistência à opressão e contínua luta pelo reconhecimento de seus direitos básicos, hoje consagrados e salvaguardados pelo artigo 68º do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, que visa resgatar um pouco da imensa dívida social que o País tem com seus antepassados étnicos e que ainda hoje se manifesta pelas precárias condições de vida que a Nação reserva a seus descendentes.


Terra Seca, Ribeirão Grande, Cedro e Pedra Preta também possuem em comum duas outras características históricas que as diferenciam de outras comunidades quilombolas da região, como as do Médio Ribeira, por exemplo. A primeira delas foi registrada nos respectivos Relatórios Técnico –Científicos elaborados pelo ITESP em seu processo de reconhecimento, que identificam exatamente o mesmo grupo ancestral[1] que ocupou inicialmente toda a região, então denominada Cedro, cujos componentes possuíam sólidos vínculos de amizade, colaboração mútua, solidariedade, identidade étnica e parentesco. A outra característica reveste-se de caráter histórico-econômico. Com base nos mesmos estudos constatamos que essas comunidades originaram-se, como as demais no Vale do Ribeira, do declínio do ciclo econômico da mineração, porém não tiveram, como as demais, a mínima participação no ciclo de desenvolvimento regional da rizicultura verificado no século XIX, restando à margem dos benefícios, ainda que módicos e por curto período, alcançados pelos demais irmãos de etnia em virtude da riqueza então gerada pela atividade[2].


Da mesma forma, nos tempos atuais, em virtude de sua condição de isolamento e outros fatores adversos, também não estão inseridos como as comunidades quilombolas do Médio Ribeira (sempre ressaltando que em todas as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira essa inserção é limitada e parcial e não se dá sem grandes esforços) na bananicultura, atividade mais importante da região[3]. Permaneceram e permanecem à margem das poucas oportunidades históricas que surgem na economia regional para alavancar, ainda que de forma módica, um desenvolvimento que lhes garanta alguma perspectiva de melhoria de qualidade de vida advinda de condições favoráveis do mercado convencional.

O “Programa Luz Para Todos”, do Governo Federal, beneficiou este e outros ‘territórios esquecidos’ pelo poder público , pois anteriormente em ocupações mais distantes, sequer havia o benefício da luz elétrica. Com diferenças pouco significativas entre elas, essas comunidades também padecem de precária (ou inexistente) infraestrutura no que diz respeito às condições sanitárias, ao acesso à serviços de transporte, saúde e educação.

Estas comunidades instalaram-se nessas localidades no bojo de um processo histórico de completa exclusão social, justamente para preservar sua liberdade, seus costumes, sua tradição, sua cultura e modo de vida . Paradoxalmente, é justamente nesse modo de vida diferenciado, em suas práticas tradicionais e em seus “saberes orais” duramente preservados ao longo de gerações e seu modo de vida intimamente ligado ao meio biótico que reside a única possibilidade de emergir novas formas de viver. Viver esse que passa pela conjugação de sua cultura, de seus “saberes” acumulados e desenvolvidos por séculos, com métodos científicos, onde reside a grande possibilidade de constituir-se um desenvolvimento econômico autônomo, em bases sustentáveis (econômica, social e ambientalmente).


[1] O nome dos três grandes amigos e primeiros desbravadores da daquele ermo do Rio Turvo, Miguel Pontes Maciel, Benedito Rodrigues de Paula e Pacífico Morato são invariavelmente mencionados nos relatos e figuram na genealogia da grande maioria dos residentes.
[2] De uma forma geral, Barra do Turvo, distrito de Iporanga até meados dos anos 60 do século XX, passou ao largo do boom da rizicultura, alternando como principais atividades econômicas a criação de porcos, milho, feijão, palmito jussara, bovinos e búfalos. Seu período de maior “abundância” foi entre os anos de 1910 a 1930 por meio da produção agrícola e pecuária, parcialmente beneficiada antes da comercialização, porém tratou-se de uma prosperidade passageira e pouco significativa.
[3] Naqueles ermos do Rio Turvo até mesmo a figura do atravessador, a preços aviltantes, raramente se dispõe a retirar os produtos e os meios de transporte de produção da comunidade são precários, senão inexistentes.
[4] Em 08 de agosto de 1969, o Decreto Lei nº 145 criou o Parque Estadual de Jacupiranga (PEJ), com uma área de 150.000 hectares, abrangendo os municípios de Jacupiranga, Barra do Turvo, Cananéia, Iporanga, Eldorado e Cajati.


RDS, Quilombolas e Agrofloresta: uma união entre homem e natureza que dá certo!


Uma das grandes expectativas para esse UC Conhece??? era a visita à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Quilombos da Barra do Turvo.
A criação dessa categoria de área protegida é relativamente recente no Estado (comparado aos Parques Estaduais e APAs) e ainda pouco conhecida e divulgada.
De acordo com o SNUC, uma RDS é:
“área natural que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos
recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica”.
Em São Paulo existem atualmente sete (07) RDSs. O site da FF certamente seria o meio para obter informações no entanto, verificamos que está desatualizado: http://fflorestal.sp.gov.br/unidades-de-conservacao/reserva-de-desenvolvimento-sustentavel/reserva-de-desenvolvimento-sustentavel-rds-estaduais/
A diferença em visitar UCs dessa categoria começam pelos monitores. No caso, fomos recepcionados e guiados por gente que é filho da terra, o quilombola Ronivaldo, mais conhecido como Pato.

Com o Pato fomos conhecer sua família quilombola e o sistema de produção agroflorestal que desenvolvem.
As Agroflorestas, ou Florestas de Alimentos, são sistemas sustentáveis de produção que recuperam e enriquecem os solos e a biodiversidade. A região da Barra do Turvo, antes de receber várias agroflorestas, era uma região de solo muito pobre, devido a monoculturas, queimadas e pastagens.
Visualizar a mudança/ transformação da prática agrícola e o brilho nos olhos dos irmãos de Ronivaldo, ao falar com orgulho de sua agroflorestal, foi uma emoção a parte. Sensacional! Durante a caminhada pelo interior desta área tivemos a oportunidade de degustar, saborear e se lambuzar com diversas frutas colhidas direto do pé- que também alimentam a fauna silvestre que habita aquelas bandas.
Percorrer a agrofloresta abriu o apetite e deu fome, então; compartilhamos de um delicioso almoço com o Seo Ditão e a Dona Maria, os patriarcas da família, regado à muita prosa e conversa sobre a história, dia-a-dia, desafios e conflitos da comunidade quilombola, e muito saber. Uma verdadeira aula de luta pela manutenção de sua forma de vida, diferenciada!!!

Segundo os relatos dos moradores, as prática agroflorestais tiveram início na região em 1996. Com a restrição ambiental estabelecida pelo Parque Estadual do Jacupiranga, as famílias possuíam dificuldades em manter práticas como a agricultura de coivara. Foi então que técnicos da CATI apresentaram o conceito de agroflorestas aos moradores, buscando assim conciliar a conservação e produção sustentável.
Essa história nos foi contada no 3º dia de visita, pelo Sr. Sezefredo, um dos pioneiros da agrofloresta na região. Ele nos contou do nascimento da Cooperafloresta,
A Cooperafloresta atua nos municípios de Barra do Turvo SP e Adrianópolis PR, e se constituiu a partir de um trabalho iniciado em 1996, junto com duas famílias agricultoras locais. Sua principal missão é capitalizar a riqueza socioambiental de sua área de atuação, promovendo o desenvolvimento rural sustentável, a partir do desenvolvimento/transformação da cultura e agricultura tradicional, através da agroecologia e dos sistemas agroflorestais (http://www.rbma.org.br/mercado/cooperafloresta.php).
Nesse sistema os produtores trabalham de forma cooperativa, escoando seus produtos através da associação. Os produtos são vendidos semanalmente em uma feira pública em Curitiba. O trabalho e o empenho de todos na construção dessa cooperativa nos chamou muito a atenção. Infelizmente esse trabalho, que tem tido apoio dos gestores da FF (apoio esse reconhecido pelas populações), tem recebido pouca atenção do site da FF: não é possível obter informações sobre produtos, visitação e etc.
É possível compatibilizar a conservação com a manutenção de comunidades tradicionais em UCs, veja aqui www.revistas.usp.br/agraria/issue/view/7003 .
Mas, nem tudo são florestas! Na tarde desse mesmo dia visitamos outra comunidade quilombola, na qual fizemos uma roda de conversa com alguns moradores. Para eles, que tem suas terras parcialmente inseridas na RDS, as exigências ambientais estabelecidas para se tornar um associado da Cooperafloresta afastou alguns produtores. A proibição da prática da agricultura da coivara, da queima de resíduos sólidos e baixos rendimentos financeiros foram aspectos relatados.
Durante a conversa tivemos a oportunidade de apresentar um pouco dos trabalhos desenvolvidos pelo CRF e, especificamente, do Programa UC Conhece???.
Sabemos das limitações de nossa atuação, mas poder conhecer a vida dessas pessoas e contribuir com a divulgação de suas histórias, lutas e experiências, estimulando a visitação, nos dá ânimo e reafirma nossa compromisso com a conservação da biodiversidade e das populações tradicionais!!!  A Fundação Florestal deveria estimular e incluir visitas técnicas como esta do UC Conhece!!! em seu Plano de Profissionalização Continuada e Progressiva -PPCP. 

                           Visite você também a região do Mosaico do Jacupiranga.
Aproveitamos para agradecer o apoio recebido dos gestores das UCs visitadas, a atenção dos funcionários das respectivas unidades e  especialmente ao quilombola Pato, nosso monitor, o qual deixamos o contato para quem desejar realizar esse roteiro.

Esta matéria foi longa, assim como longa é a extensão do rio Ribeira de Iguape, assim como é longa a história do povo quilombola brasileiro na luta por seus direitos e por sua terra.

VEJA AS FOTOS AQUI!!!!
Prepare sua mochila, uma próxima viagem está por vir.  Até Lá!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Discursos realizados na posse do Dr. Paulo Santos de Almeida - Diretor Executivo da Fundação Florestal - 19/04/2016


Confira abaixo os discursos realizados durante a Cerimônia de Posse do Dr. Paulo Santos de Almeida - novo Diretor Executivo da Fundação Florestal - 19/04/2016.








Obs.: Em virtude de deficiências do equipamento, existem pequenos trechos de corte nos registros.

terça-feira, 5 de abril de 2016

30 anos de criação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente

Evento Comemorativo na Assembléia Legislativa/ 04 de abril de 2016

Aconteceu ontem, dia 04 de abril às 20hs, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o evento comemorativo em homenagem ao aniversário de criação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

A sessão solene foi convocada e aberta pelo deputado Fernando Capez. Muitas autoridades e funcionários do sistema ambiental compareceram, entre eles alguns ex-secretários que estiveram à frente da pasta.

Abrindo os discursos, a Sra. Márcia Hirota representando a SOS Mata Atlântica teceu elogios à secretaria e relembrou fatos que marcaram a trajetória da SMA e da SOS Mata Atlântica.

A seguir o secretário de Energia e Mineração, Sr. João Carlos Meirelles, prestou uma homenagem ao governador Franco Montoro pelo papel que exerceu como homem público, e pelos avanços que empreendeu na área ambiental com a criação da SMA e do CONSEMA.

Na ocasião foi exibido um filme onde secretários do meio ambiente puderam registrar o que consideraram avanços ou temas de importância que marcaram suas gestões.

A secretária Patrícias Iglecias também fez vários agradecimentos especiais, e ressaltou a interface do meio ambiente com outras áreas, a solidez das instituições envolvidas com as questões ambientais, e a legislação  bastante desenvolvida com a qual é possível se contar atualmente.

Caracterizou o momento como muito especial, lembrando que hoje não é mais possível haver desenvolvimento à custa do meio ambiente. Enumerou várias conquistas importantes como as APAS Marinhas, a proteção ao Cerrado, a preocupação e posicionamento quanto às mudanças climáticas, a legislação referente aos resíduos sólidos, ressaltando a missão que a SMA tem de olhar para o futuro, citando a importância de alguns programas em curso na secretaria como a Restauração Ecológica, o programa Nascentes.

Ao terminar sua fala citou o Dr. Paulo Nogueira Neto, como uma referência para todos nós na área ambiental, que afirma que “os governantes serão lembrados no futuro não pelo que construíram, mas pelo que preservaram”.

O evento contou com a presença do diretor executivo da Fundação Florestal Dr. Paulo de Almeida, do diretor administrativo e financeiro Dr. José Toledo, diretores, Lucila Manzatti e Edson Montilha, e técnicos da instituição.

Representando o CRF estiveram presentes os funcionários Felipe Augusto Zanusso Souza e Jessie Palma.

PARABÉNS PARA NOSSO SISTEMA!!!

PARABÉNS PARA TODOS FUNCIONÁRIOS QUE AJUDAM A CONSTRUÍ-LO!!!

quarta-feira, 16 de março de 2016

CARTA CRF Nº 003/2016 - Ref.: SUCESSÃO NA DIREÇÃO DA FUNDAÇÃO FLORESTAL

CARTA CRF Nº 003/2016               São Paulo, 11 de março de 2016

PARA:

Excelentíssima Secretária Patrícia Iglecias
Excelentíssimos Membros do Conselho Curador da Fundação Florestal
Excelentíssimos Membros do Conselho do SIGAP

Ref.: SUCESSÃO NA DIREÇÃO DA FUNDAÇÃO FLORESTAL

Prezado(a)s Senhore(a)s,

Considerando:

·             a decisão do Supremo Tribunal Federal do dia 9 de março de 2016, que proíbe procuradores e promotores do Ministério Público de ocuparem cargos públicos no Poder Executivo, exceto para exercer a função de professor, e tendo em vista que, de acordo com notícia veiculada pela Folha de São Paulo, essa regra “terá impacto em vários governos estaduais e municipais" (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/03/1748149-maioria-do-stf-vota-para-anular-nomeacao-de-novo-ministro-da-justica.shtml);

·             que houve impacto imediato no Estado do Mato Grosso, conforme notícia veiculada pelo jornal “Olhar Jurídico”, às 18:37 (http://www.olhardireto.com.br/juridico/noticias/exibir.asp?noticia=votacao-do-stf-tira-tres-secretarios-de-mt-taques-diz-que-decisao-se-cumpre&id=31398);

·             o teor da decisão que enfatiza que “ao exercer cargo no Poder Executivo, o membro do Ministério Público passa a atuar como subordinado ao chefe da administração. Isso fragiliza a instituição, que pode ser potencial alvo de captação por interesses políticos e de submissão dos interesses institucionais a projetos pessoais de seus próprios membros” (Gilmar Mendes), como visto na notícia do site do Supremo Tribunal Federal, em 09/03/2016 (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=311720);

·             a notícia do mesmo jornal Folha de São Paulo, as 21h21, de que “...um dirigente da Fundação Florestal, ligada à Secretaria do Meio Ambiente, que já pediu demissão" (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/03/1748215-decisao-do-stf-sobre-ministro-da-justica-desfalcara-8-governos-estaduais.shtml)

O Conselho de Representantes dos Funcionários da Fundação Florestal, entendendo que o atual Diretor Executivo, Luis Fernando Rocha, deverá se desligar de sua função nesta instituição, caso opte em permanecer em seu cargo de Promotor no Ministério Público, vem à presença de V.Sas. solicitar o que segue, levando em conta o trâmite processual necessário à nomeação do novo Diretor Executivo pelo Sr. Governador do Estado:

·             que os candidatos tenham, obrigatoriamente, em seu perfil, além de capacidade técnica reconhecida na área socioambiental, características como habilidade gerencial, espírito público e democrático, abertura ao diálogo, compromisso com a conservação das áreas protegidas e com o fortalecimento institucional, bem como, experiência na Administração Pública;

·             que os funcionários possam participar na composição da lista tríplice a ser indicada pelo Conselho Curador, à exemplo do que acontece nas Universidades.

Essas propostas consideram o histórico da instituição, que tem amargado um verdadeiro estado de retrocesso/estagnação, em função das inúmeras alterações em seu quadro de dirigentes, e a necessidade de um arranque da gestão da Secretaria no que se refere à gestão das áreas protegidas.

Importante lembrar que, desde o advento do SIEFLOR, em razão da insuficiência de planejamento e estruturação para receber a quase totalidade das Unidades de Conservação estaduais, instituiu-se, ainda que emergencialmente, a desenfreada criação de cargos em comissão.

Além disso, em consequência da tibieza da política ambiental do Estado, para dizer o mínimo destes últimos cinco anos, a Fundação carrega números tenebrosos:

·        entre 2011 e 2016, ou seja, em praticamente uma única gestão de governo, a instituição teve 4 (quatro) mudanças de Diretor Executivo, com casos de permanências inferiores a um ano;

·        no mesmo período os cargos de Diretores Adjuntos apresentaram 19 alterações, com destaque extremamente negativo para as três Diretorias Técnicas que em cinco anos sofreram 15 mudanças;

·        essa verdadeira turbulência político/administrativa teve nefastos reflexos na cadeia hierárquica dos cargos de gerentes e gestores, que apresentaram um número ainda maior de trocas, fragilizando a gestão das unidades de conservação e impactando significativamente o desenvolvimento e sucesso de metas e de inúmeros projetos;

·        não bastasse isso, em cinco anos a FF passou por 2 (duas) reestruturações organizacionais, nas quais setores/núcleos foram extintos num primeiro momento, recriados em um segundo e, em ambos os casos, o corpo técnico sequer foi consultado, fato que resultou em mudanças ineficazes e que não refletem as reais necessidades da instituição;

·        desorientada e sem uma política de Recursos Humanos como sendo fundamental para fortalecer seu funcionamento, a instituição ficou marcada pela vulnerabilidade política, por posturas autoritárias e sem diálogo por parte da Direção da FF, com uma ineficiente gestão de pessoas, sejam essas funcionárias do seu próprio quadro, terceirizadas ou à serviço nas Unidades, como no caso dos funcionários do Instituto Florestal, abrindo espaço para injustiças e perseguições pessoais;

Importante esclarecer que não se trata aqui de intenção de ingerência no poder delegado ao Conselho Curador ou à Secretária na indicação da lista tríplice, mas sim de buscar contribuir para o fortalecimento da gestão da Fundação e minimização de conflitos.

Infelizmente, decorridos um ano do novo mandato, ainda não podemos comemorar mudanças positivas: continuamos sendo alvo do Ministério Público por contratos terceirizados que oneram demasiadamente os cofres públicos; por nomeações políticas que desrespeitam os princípios da administração pública; pela ausência de discussão técnica de temas importantes, como Uso Público e concessões, Proteção, Regularização Fundiária e Interação Socioambiental, dentre outros; e, especialmente, pela instabilidade e desvalorização de todo o quadro de pessoal.

Portanto, reafirmamos nosso compromisso em contribuir com a transformação da Fundação Florestal, tornando-a uma instituição forte e valorizada.

Aproveitamos a oportunidade para desejar boa sorte aos Luis Fernando Rocha e José Eduardo Ismael Lutti, desejando que continuem apoiando nossa missão em seu lugar de origem, que é uma das instituições mais respeitadas neste país.

Secretária e Professora Patrícia Iglecias, Conselheiros, contamos com vosso apoio para mudar a situação das Unidades de Conservação paulistas, colocando-nos à disposição para uma discussão sadia, produtiva e franca, na qual esperamos, como único resultado, mudanças harmoniosas que contribuam para os objetivos sociais e ambientais das UC.



CONSELHO DE REPRESENTANTES DE FUNCIONÁRIOS DA
FUNDAÇÃO FLORESTAL